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“Seiken Densetsu 3” foi o terceiro episódio de um grande sucesso no mundo nipônico. “Seiken Densetsu” foi criado pela espetacular Square, uma grande inovação no mundo dos games na época. Você deve se perguntar: “Se é o 3º episódio quais foram os 2 primeiros?”. O primeiro é o “Final Fantasy Legends” (GBC), o segundo é o “Secret of Mana“, assim conhecido nos EUA. Esse jogo você deve conhecer. Consagrou-se como clássico no SNES, mérito que eu concordo. Mas chega de moleza e vamos falar de SD3.

SD3 possui um enredo médio, mas inovador. Isso porque em outros RPGs geralmente existem um só protagonista (você, lógico) e vários antagonistas (alguns deles podem seguí-lo). Em SD3 existem seis protagonistas em que você escolhe três, sendo que o primeiro escolhido é você (“o escolhido“), o segundo e o terceiro são seus companheiros de viagem. Dependendo dos personagens que você escolhe o enredo vai sendo construído. Darei um exemplo: escolhendo Duran, Lise e Carlie, a história começa com Duran como personagem principal, depois com a chegada de Lise ao grupo e, por fim, Carlie. Você pode escolher os personagens da maneira que quiser, pois essa estrutura da história não mudará.

O trio escolhido estabelecerá o enredo. Cada um dos personagens tem uma história própria o que torna o jogo muito interessante e inovador. Os personagens que você pode escolher são: Angela, Carlie, Duran, Hawk, Kevin e Lise. Mas entre as histórias de cada um existe uma semelhança muito importante. Todos os personagens vivem no mesmo mundo, época e todos possuem o mesmo objetivo: derrotar seu inimigo e salvar o mundo da destruição. A história onde essas outras mesmas se passam é a seguinte:

No mundo de Mana descobre-se que a Árvore da Vida (Mana) está mortalmente doente. Isso porque um grande MAL quer dominar o mundo. Uma lenda diz que um dia um herói irá empunhar a grande Espada de Mana, que se encontra ao pé da Árvore, e acabará com esse grande MAL.

Todo mundo que curte RPG já deve ter ouvido uma história parecida… (inclusive aí os fãs de “Secret of Mana”). Mas tudo bem. A liberdade de escolha dos personagens compensa o enredo pouco original. Outro problema é que ele é bastante estático. Não há reviravoltas ou jogadas bem boladas para mudar a história. É muito linear. Em compensação o enredo lhe prende do início ao fim por ser bastante interessante, como o de “Secret of Mana“. Outro ponto bacana é o carisma. Cada um tem seu próprio problema o que define suas personalidades. Não falarei da personalidade de cada um senão perderia a graça.

Outro ponto a se comentar é o sistema de troca de classes. No começo do game, seu personagem vem com a classe definida, mas no meio do jogo ela sofre uma evolução e aí você tem a chance de escolher a profissão do personagem. Depois de um bom tempo treinando você evoluirá de classe novamente, onde você volta a escolher entre outras duas profissões. Bem original, mas você só pode escolher entre duas classes para evoluir. Vou dar um exemplo esquemático usando a personagem Angela que começa o jogo como Magician, depois ela pode escolher ser Sorceress ou Delvar. Se ela virar Delvar, poderá escolher ser Rune Master ou Magus na segunda mudança de classe. Se escolher Sorceress, vai ter a possibilidade de escolher entre Grand Divina e Arch Mage depois. Meio complicado né? Mas você precisará saber disso para deixar seus personagens mais fortes.

Mas espera, que diferença faz eu escolher entre uma classe e outra?”, ouço você perguntar. Eu digo: dependendo da classe escolhida, você ganha magias diferentes e seu status aumenta. Darei outro exemplo: Duran, outro personagem, pode mudar para Knight ou Gladiator. Se ele se tornar um Knight ganhará a magia Heal Light e a habilidade Step Cut. Se ele virar um Gladiator ganhará as magias Diamond Saber, Flame Saber, Ice Saber, Thunder Saber e a habilidade Whirlwind Sword. Sendo que existem classes mais poderosas que outras, por isso é necessário fazer uma boa escolha.

O sistema de batalha do jogo é bom demais! Bem difícil e divertido. Se você não treinar quando tiver tempo você se estrepa, nem podendo prosseguir na jornada. O sistema é em tempo real e de vez em quando as batalhas dão ar de um jogo de luta, pois no jogo a pancadaria come solta!!! Em tempo real, você pode dar somente golpes físicos. Bacana é a barra de energia que fica carregando enquanto você luta. Quando fica cheia, você pode dar um golpe especial, exclusivo de cada personagem. Para soltar magias basta ir ao menu de batalha e escolhê-la. Pronto! A única coisa chata é que você só consegue controlar o primeiro jogador, os outros são controlados pelo computador. Ou seja, se o computador fizer uma besteira, quem se dá mal é você. Mas, você pode trocar a posição dos jogadores para facilitar, por exemplo, o uso de magias, golpes…

Esse sistema de tempo real também dá mais liberdade ao jogador. Quando ele não tiver com saco para lutar, simplesmente ele pode passar da vista dos monstros. Mas lembre-se de sempre treinar meus amigos, ou já era pra você, pois a parada é duríssima e não é bom ficar com preguiça para as lutas!

A mecânica de jogo é bem limitada, principalmente nas lutas, porém compensa pela precisão. O menu também é meio confuso, principalmente para quem não jogou o “Secret of Mana“. Leva um tempo para se acostumar a tanta informação. Mas, depois de um tempo, você aprende a usá-lo.

O jogo é intenso, mas peca um pouco pela falta de originalidade. Apesar do sistema de classes e a escolha de personagens no começo, todos os monstros do jogo são do “Secret of Mana“. Quero dizer, quem jogou o primeiro nem vai encontrar monstros diferente. Bem frustrante isso. Mas existe um outro ponto inovador: os dias. No jogo existe dia, noite e semanas. Enquanto você vaga pelo jogo os dias passam, e cada dia tem o nome de um summon do Secret of Mana. É dia do Gnomo, dia da Undine, Mana Holy Day (esse último é feriado, nele você dorme de graça em qualquer hotel). Outro ponto interessante é a mudança de monstros do dia para noite. De dia é comum encontrar insetos e outros bichos diurnos como monstros. De noite você encontra zumbis, morcegos… (não, isso não é Castlevania).

O visual também impressiona. A riqueza de cores e detalhes dão um tchan incrível ao jogo. Os monstros também estão muito bem feitos, como se tivessem saído de um daqueles desenhos dos Pokémons… Um dos melhores gráficos do SNES, acho que é o segundo melhor, só perde para Mario RPG. Resumindo: os gráficos são maravilhosos, impressionantes e bonitos para um jogo de Super Nintendo!!!

As músicas também estão muito bem compostas. Destaque para a música do chefe final!!! Todas elas combinam com a situação que você está passando. Muito boas, mesmo. Os efeitos até que são bons, mas pouco aparecem no jogo.

Outro fator importante é o REPLAY! Com o sistema de classes, você pode jogar novamente para ver o que aconteceria se tivesse escolhido outra classe.