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Após dois excelentes games para a renovada série “Ninja Gaiden”, o terceiro capítulo gerou uma grande expectativa/preocupação nos fãs, principalmente pela saída de Tomonobu Itagaki, o “pai” da franquia, da produtora Team Ninja. E junto com ele ainda foram outros empregados, que juntos formaram o seu novo estúdio independente, a Valhalla Game Studios.

E a pergunta que fica é: será que o que restou da Team Ninja seria capaz de manter o nível de qualidade dos games anteriores sem o seu principal nome na produção? E a resposta, meus caros amigos fãs do ninja retalhador Ryu Hayabusa, é NÃÃÃOOO!

Apesar de manter a velocidade e a sangreira voando pela tela, “Ninja Gaiden 3” é um game totalmente diferente daqueles que nós conhecemos. E as mudanças não foram para melhores, a começar pela sua maior marca registrada, a dificuldade. Para deixar o game mais acessível a todos os jogadores, a Team Ninja baixou drasticamente o nível de dificuldade do jogo, deixando de lado a precisão metódica, a velocidade, estratégia e a dificuldade elevadíssima de lado, resultando num jogo chato, repetitivo e esmagador de botões.

A narrativa do jogo, que também não é grande coisa, explora um lado mais humano do sanguinário ninja. Esqueçam o misticismo e o folclore nipônico dos títulos anteriores, ao invés disso temos um misterioso culto de alquimistas que pretendem destruir o mundo e reconstruir uma nova ordem. Tá certo que a história nunca foi o ponto forte da série, mas pelo menos havia ninjas, samurais e criaturas que ajudavam na ambientalização do jogo. Agora troquem tudo isso por um “ninja” tagarela que mais parece um super-herói de quadrinhos, numa mistura de agente secreto anti-terrorista a lá Jack Bauer. A história é fraca e confusa, e tão sem graça que logo o jogador perde o interesse.

Os primeiros 15 minutos de jogo parecem promissores, com um sistema de ataque ágil e rios de sangue dos adversários banhando o corpo e espada de Hayabusa, mas depois de algumas horas percebemos que a ação não muda, ficando apenas no esmagamento de botões, Ryu não ganha novas habilidades e há pouquíssimas armas para serem usadas (até mesmo as magias foram limitadas a uma). Mesmo aumentando a dificuldade, o que realmente deixa o jogo um pouco mais difícil, o esquema de esmagar botões continua o mesmo, faltando a profundidade e estratégias ninjisticas que existia antes.

O catálogo de inimigos também não ajuda muito, pois além de terem um design pobre e basicão, são poucos variados, e em cada área você terá que retalhar dezenas de adversários iguais, sem um mínimo de desafio (diferente dos jogos anteriores, onde um inimigo fracote podia aplicar um único golpe fatal em Hayabusa). Apesar de todo o sangue que rola na tela, não há aqui decapitamentos ou desmembramentos dos adversários, o que é uma pena. Os ângulos da câmera também não ajudam muito, sempre tentando buscar a melhor visão das chacinas, mas de tanto se mexer (ou está muito perto, ou muito longe) acaba deixando o jogador confuso , sem saber o que está acontecendo direito.

Os gráficos estão abaixo da média do que os consoles podem oferecer. Ryu até possui um design bonito na tela (as cutscenes também agradam), mas a textura dos cenários e ambientes são pobres e sem graça, com pouca interação a oferecer e que não combinam com o estilo sombrio do personagem. Percebe-se muita coisa (senão tudo, tirando toda a essência da série) retirada de outros games de ação (“God of War” e “Devil May Cry” que o digam), como o excessivo uso de QTEs (Quick Time Events – cenas em que o jogador deve apertar um botão em determinado tempo), o que limita mais ainda a liberdade de controlar o personagem. Cenas exageradas de Hollywood, ou deveria dizer Bollywood (como esse clássico aqui), com o ninja escorregando por debaixo de um caminhão que rola em sua direção (ou o momento “Rambo”, em que ele atira com seu arco e flecha contra um helicóptero Apache), tirando toda a identidade que um jogo “Ninja Gaiden” poderia ter e transformando-o num genérico de ação qualquer. Ainda se tivesse coisas inéditas, mas nem isso pode-se dizer do game, nem mesmo o seu modo online escapa, pois é tão sem graça, e ainda mais fácil.

A trilha sonora do jogo é uma das poucas coisas boas, em sua maioria compostas por um rock pesado para combinar com a matança (mas que depois de um tempo, chega a ficar repetitivo também). Os personagens possuem boas dublagens e bons efeitos sonoros. Os chefões também estão interessantes, com bons visuais e desafios um pouco mais elevados (mas também nada muito complicado) e podem render uma diversão melhor do que os inimigos básicos.

Assista ao trailer do jogo abaixo

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