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– Um excelente game do cabeça-de-teia que vai agradar os fãs –

O Homem-Aranha foi criado na década de 60 por Stan Lee, que criou a maioria dos super-heróis do universo Marvel, como o Quarteto-Fantástico, X-Men, Hulk, entre outros. Desde então, o cabeça-de-teia ganhou o mundo nos quadrinhos, desenhos animados, nos cinemas e claro, nos videogames, ao lado de outros ícones dos quadrinhos como Batman e Super-Homen.

Ao longo dos anos o teioso ganhou diversos games inspirados em seu universo. Particularmente, lembro de três que marcaram minha vida de gamer e fã do personagem: Spider-Man vs Kingpin para o Mega Drive (que depois ganhou uma excelente reedição no Sega CD) foi um dos primeiros games a retratar de forma fiel o universo dos quadrinhos do herói nos games. Alguns anos mais tarde seria lançado Spider-Man para o PlayStation, era o herói indo para o universo 3D, e apesar de ter algumas falhas, era um jogo bem bacana. Por último, Ultimate Spider-Man para o PlayStation 2, sem dúvida um dos melhores games já feitos sobre o herói.

Nesta nova geração ainda não tivemos um jogo realmente espetacular do herói (o Web of Shadows é bacaninha, mas ainda tava faltando alguma coisa), mas será que o novo “Spider-Man: Shattered Dimensions” para PC, PS3, X360, Wii e DS chegou para mudar essa história? Para você que não sabe nada do jogo, aqui vai um breve resumo: o game mistura quatro universos dos quadrinhos do herói. Cada universo possui o seu Aranha, com características e mecânicas próprias, fazendo quase que seja quatro jogos diferentes em um. Bacana né? Será que o jogo vale a pena? Leia nossa análise abaixo e descubra.

A história gira em torno de um artefato conhecido como “A Tábua da Ordem e do Caos”, que se dividiu em quatro partes durante uma batalha entre o Homem-Aranha e o vilão Mysterio, causando problemas nas realidades alternativas do universo Marvel. A psíquica Madame Teia convoca quatro versões do Homem-Aranha das quatro realidades para ajudá-la a restaurar o equilíbrio entre elas: o Amazing Spider-Man, da cronologia regular do herói; o Spider-Man Noir, uma versão do Aranha de 1930; Spider-Man 2099, um Aranha de um futuro possível; e o Ultimate Spider-Man, versão da linha Ultimate (conhecida no Brasil como Marvel Millennium) do herói, que está atualmente ligado ao simbionte que mais tarde origina o vilão Venom.

Os Homens-Aranha são informados de que cada um dos vilões de seus respectivos universos tiveram os poderes aumentados devido aos fragmentos da Tábua em posse de cada um deles. Cada vilão ganhou o poder de realizar o que mais deseja, derrotar o Homem-Aranha de seus respectivos universos. Sentiu a encrenca que espera por nosso herói né?

Você, fã do Aranha das histórias em quadrinhos, aposto que está com os olhos brilhando depois de ler a história do jogo. Isso porque ela nos remete quase que perfeitamente para os quadrinhos, é como se você estivesse lendo uma edição especial do herói, só que jogando no videogame. E não é uma história qualquer não, é uma muito boa que prende a sua atenção. A personagem psíquica Madame Teia, por exemplo, está perfeita no game auxiliando o herói, como nos quadrinhos. E quanto aos vilões? Ah, são muitos, além de Mysterio, o grande vilão do jogo, temos os clássicos Abutre, Norman Osborn, Kraven, Electro, Homem-Areia, Duende Macabro, Carnificina, entre vários outros. Tem alguns que não são tão recorrentes do universo do herói, como o tanque humano Fanático e o aloprado Deadpool. Só senti falta das belas curvas da Gata Negra, e nem a Mary Jane dá o ar de sua graça, mas tudo bem.

A mecânica do jogo é de forma linear, não sendo mais em mundo aberto como nos outros jogos 3D do herói, com missões e objetivos a serem cumpridos para se avançar para próxima fase, que são alternadas entre os quatro universos. Apesar de lineares, há um grande espaço aberto para se balançar com as teias ou explorar itens escondidos, excelente para quem gosta do fator exploração. Cada Homem-Aranha possui técnicas únicas de luta e jogabilidade, que o distingue dos outros.

O Amazing Spider-Man por exemplo usa e abusa de ataques de teia, tais como martelos e maças de teia que criam ataques devastadores corpo-a-corpo e a longa distância. isso sem contar de suas piadas infames e trocadilhos o tempo todo, que chega a irritar alguns vilões.

Já o Noir usa uma mecânica de stealth, no qual o jogador deve evitar ser percebido, fazendo uso de furtividade para evadir ou criar uma emboscada para os antagonistas, como nos jogos da série “Metal Gear Solid”, ou para citar outro herói dos quadrinhos, o excelente “Batman: Arkham Asylum”. O Aranha Noir deve se esgueirar pelos cantos escuros e pegar os seus inimigos de surpresa com a sua teia, com um sistema de ação mais lento e estratégico. Esse já não faz tantas piadas.

Com o Miguel O’Hara, o Aranha de 2099, a jogabilidade é mais aérea, usando acrobacias em voos altos e suas roupas, com habilidades especiais tecnologicamente avançadas para combates aéreos, conseguindo saltar de prédios futurísticos altíssimos. Ele também tem garras que lhe dão uma arma pessoal. Tem visão acelerada (um termo cunhado pela equipe de produção descrevendo quanto tudo fica mais lento em volta do Homem-Aranha enquanto ele se mantém na mesma velocidade permitindo-o esquivar-se de ataques – uma adaptação dos quadrinhos, em que ele tem uma visão mais aguçada). Embora o Homem-Aranha 2099 original não tenha o famoso Sentido-Aranha, ele foi adicionado ao jogo sem uma explicação clara.

Por último o jovem Aranha Ultimate, que usa os poderes da roupa simbionte para devastar hordas de inimigos, gerando espinhos e vinhas que agem como extensões de seu próprio corpo, além de possui uma barra de fúria, que o deixa mais forte e ajuda contra vários inimigos simultâneos. É bastante parecido com o Ultimate Spider-Man do PS2.

Cada um deles possui uma grande quantidade de golpes e combos que são destravados/comprados no decorrer do jogo. E são tantos comandos que certamente você vai se sentir perdido e não irá se lembrar de todos, mas felizmente há um menu que mostra todos os golpes de cada Aranha e como executar os comandos, inclusive com um pequeno vídeo de demonstração. Aliás, o jogo possui um sistema de menus bem profundo, em que você pode comprar/evoluir os personagens através de essências de aranha (que funcionam como dinheiro) que são encontradas nos cenários. Além disso, cada fase oferece 15 desafios, que devem ser cumpridos para destravar novos golpes e habilidades. Eles variam desde os mais simples como derrotar cinco inimigos usando apenas a teia ou balançar sem encostar no chão, até os mais complicados como derrotar um chefe com um número de socos ou destruir determinados pontos durante um combate feroz contra um chefão. Mas não se preocupe se você não conseguir realizar todos de uma vez, você pode voltar para as fases quando desejar.

Mas as mudanças não se aplicam apenas no visual e mecânicas do herói, os cenários e fases são bem diferentes também. Os universos Amazing e Ultimate são bem parecidos, coloridos e cheios de dinâmica. O 2099, como já era de se esperar, apresenta cenários futurísticos, com carros voadores e tecnologia avançada. E o Noir é completamente diferente de todos, com um visual predominantemente branco e preto, com o uso brando de cores (como nos recentes Splinter Cell), tem toda uma atmosfera sombria e clima de algo antigo, que é essa a ideia a se passar e que ficou muito bom.

E não pense que é só apertar os botões para acabar com os inimigos. Nas primeiras fases pode até ser, mas os adversários ficam mais difíceis, com alguns que defendem ataques, que atacam de longa distância, que usam armas e assim por diante. Será necessário usar ataques variados, combos, esquivas, arremessos, ataques/combos aéreos, teias e o que mais você tiver à disposição para atacar.

Destaque para as lutas contra os chefões de fase, que estão fantásticas, com alto grau de desafio e inteligentes. Muito deles não adianta ficar batendo, você vai ter que explorar o cenário e usar algum elemento a seu favor para atingir o chefe. Quem já conhece o universo do herói, facilmente poderá se ligar mais rápido nas fraquezas de cada vilão. Alguns deles são bem complexos, e pode levar um tempo até você conseguir perceber a estratégia de como vencê-lo. Mas se a coisa estiver preta e você perder várias vezes, a Madame Teia dará dicas de como vencer os cascas grossas. Além disso, em alguns momentos, o ângulo de câmera muda de terceira para primeira pessoa, permitindo uma briga ainda mais íntima contra os chefões, com uma sequência de socos na cara do rival (mas tome cuidado, você também pode levar umas porradas) que os deixam com cara roxa. São cenas rápidas, mas que dão muito dinamismo e empolgação para as lutas.

Os Aranhas possuem o famoso sentido de aranha, que os avisa do perigo iminente. No jogo ele também é utilizado como um radar, que serve para identificar inimigos, itens ou civis que precisam ser salvos. Há também um sistema de esquiva/defesa, excelente para desviar de socos, chutes e projéteis aéreos contra o herói, no melhor estilo Matrix de ser. Também aparece uma animação do sentido de aranha em volta da cabeça do personagem, que se você apertar no momento exato em que ele aparecer, pode fazer um contra-ataque inesperado contra o rival. Realmente algo muito útil, gostaria eu de ter um sentido de aranha.

Graficamente o jogo é fantástico. Cenários 3D muito bem construídos, com personagens em cell shadding, que dão aquele toque de desenho animado que se encaixa perfeitamente com o game, e que por vezes parece uma história em quadrinhos em movimento. O design das fases são inteligentes, todas com itens e passagens escondidas, com o elemento artístico também bem empregado, com cenários e visual inspirados e bonitos na tela. Há vários ângulos de câmera  e animções que mudam e dão um toque cinematográfico para o personagem, especialmente nos cenários do universo 2099 e Noir, com o herói parado em cima de um grande prédio, olhando a cidade futurista abaixo, como na cena de um filme ou dos quadrinhos. Cada universo está muito bem retratado virtualmente, com inimigos variados para cada uma das dimensões.

A trilha sonora, assinada pelo compositor de cinema Jim Dooley (que já fez trabalhos para outros games e que também assina a trilha sonora de Epic Mickey para o Wii), é simplesmente espetacular. Eu nunca achei que alguém pudesse superar o genial trabalho de Danny Elfman na trilha sonora dos filmes do Aranha, mas se Dooley não supera, está no mesmo nível de qualidade. Ele souber captar a essência do personagem através das músicas orquestradas, seja com os temas mais enérgicos do universo Amazing e Ultimate, pelos temas futuristas de 2099 ou ainda as músicas sombrias, puxando para um jazz, do universo Noir. As músicas dos chefões são intensas e nervosas, perfeitas para dar o clima para os combates e deixar o jogador tenso em momentos mais complicados. A Beenox acertou em cheio em chamar Dooley para a trilha sonora, que fez um trabalho de primeira qualidade com composições que lembram muito a trilha dos filmes. Confira aqui a música tema do jogo, e aqui o tema do Noir, a do universo Amazing e aqui a do universo Ultimate. E aproveitando, escutem dois temas dos chefes,  esse aqui da Doutora Octopus (sim, uma mulher) e aqui do Duende Macabro.

Os efeitos sonoros também estão bem apropriados e complementam a experiência sonora de forma eficaz. E ponto para o elenco de dublagem, sem dúvida uma das melhores dos últimos tempos. A Beenox, como em todo o resto do jogo, empenhou-se nesse departamento, primeiro criando diálogos perfeitos, totalmente inspirados no universo dos quadrinhos, com referências e piadas infames do Aranha todo o tempo, que certamente deixam o jogador no clima do teioso. Destaque para o Deadpool, extremamente hilário (como nos quadrinhos – esqueça aquela versão horrível do filme do Wolverine!). O Deadpool é provavelmente o único herói que pode concorrer com o Aranha em nível de tagarelices e piadas infames, e ver os dois lutando é algo muito engraçado.

A empresa chamou uma equipe de peso e competente para dublar cada Homem-Aranha do jogo, com atores que já trabalharam com o herói no passado. Neil Patrick Harris, que dublou o Homem-Aranha em Spider-Man: The New Animated Series, dubla o Amazing Spider-Man. Christopher Daniel Barnes, que retratou o Homem-Aranha em Spider-Man: The Animated Series, dubla o Spider-Man Noir. O 2099 é dublado por Dan Gilvezan, que dublou o Homem-Aranha em Spider-Man and His Amazing Friends (é, aquele antigão com a “Estrela de Fogo”). E finalmente, Ultimate Spider-Man dublado por Josh Keaton, que cedeu sua voz para a bacaninha série de 2008 (pena que foi cancelada), The Spectacular Spider-Man. Stan Lee, criador do herói, narra a história, coisa que ele não faz desde Spider-Man 2: Enter Electro. Não apenas os Aranhas, mas também os vilões possuem seus dubladores originais de animações ou outros jogos do lançador-de-teia. Pode esperar por dublagens competentes e bem feitas.

O jogo possui vários extras, como 16 uniformes (todos inspirados em versões dos quadrinhos como o Aranha Escarlate e o com uniforme do Quarteto Fantástico com um saco na cabeça) para serem destravados. Os desafios em cada fase ajudam a não deixar o jogo repetitivo e são legais de completar.

E você que tem um Nintendo Wii, pode comemorar, pois o game é exatamente igual aos consoles de alta definição, coisa que geralmente não acontece, com o Wii recebendo uma versão alternativa mais simples ou então simplesmente ignorado. Claro, ele não apresenta a mesma definição e qualidade dos jogos para PS3 e X360 em termos gráficos, mas certamente não faz feio e não fica atrás. Todo o resto do jogo é igual, com os mesmos designs de fases, personagens, chefes, itens, extras e tal. Possui alguns controles de movimentos, mas coisas básicas sem complicações.

O jogo tem alguns defeitinhos, com a câmera que as vezes pode atrapalhar, o sistema de grudar em paredes que nem sempre funciona, especialmente quando você quer passar de uma parede para o teto. Nem tudo é perfeito, algumas fases podem se tornar repetitivas, mas no geral são bem feitas. E quem não manja muito de inglês e vai precisar das legendas para entender todas as piadas, terá que sentar perto da televisão, pois elas são bem pequenas na tela.