Análises

Battlefield: Hardline

Produzido pela Visceral Games (da série Dead Space), no lugar da tradicional produtora Dice, o jogo renova o universo da popular franquia de tiro, pela primeira vez, desde sua estreia com “Battlefield 1942”, lançado em 2002. Assim, sai os elementos de guerra militar e entra o cenário urbano de “polícia versus ladrão” e a guerra contra o crime.  A mudança dividiu os fãs, alguns aprovaram, enquanto outros ficaram com um pé atrás, pois acham que o título está fora dos padrões da franquia. Será que ele conseguiu mesmo renovar a série? Independente das descrenças ou do nome que carrega, é um bom jogo? Confira nossa análise e descubra.

Drama policial

A narrativa da campanha nos mostra os tempos atuais na pele do detetive novato Nick Mendoza e da sua parceira, a veterana Khai Mihn Dao, numa série de missões envolvendo tráfico de drogas, bandidos e corrupção. Se você gostava de seriados policias dos anos 80/90 como “Miami Vice” e “Law & Order” (para situar os mais jovens, de séries como “CSI” e “True Detective”) ou de filmes no estilo do clássico “Máquina Mortífera”, já tem uma boa ideia do que esperar em termos de roteiro em “Hardline”.

A história é muito bem desenvolvida e prende a atenção do jogador, com personagens críveis e interessantes que nos transmitem reações bem humanas que podemos nos identificar. Aliás, o tema de tráfico de drogas, criminosos violentos, policiais corruptos, é algo que se aproxima mais da nossa realidade, afinal, basta uma simples navegada pela internet ou ligar a TV no noticiário para ver esse tipo de coisa diariamente. É a nossa realidade, o que é um ponto positivo para o game.

Não surpreendentemente, muitos dos personagens são interpretados por atores reais, dos quais já participaram em séries policiais, como Nicholas Gonzalez (Nick Mendoza), Kelly Hu (Khai Mihn Dao), Benito Martinez (Capitão Julian Dawes), Adam Harrington (Tyson Latchford), entre outros. Até mesmo nomes como Bill Johnson e Wendy Calhoun, diretor e roteirista da série “Justified”, foram aproveitados.

Dublagem a rigor

Em termos de dublagem a original em inglês está impecável, já que foi feita por atores e dubladores profissionais. Já a brasileira não possui o mesmo nível de qualidade, porém não é tão ruim como alguns dizem por aí e faz o seu papel de maneira satisfatória. É claro que eu não poderia deixar de comentar a polêmica participação do cantor Roger Moreira, do grupo Ultraje a Rigor, dublando o protagonista Nick.

Percebe-se que Roger está bem longe de ser um ator ou dublador competente, sua interpretação é totalmente sem emoção e amadora, muitas vezes temos a impressão de que ele está apenas lendo um texto, sem incorporar o personagem. Outro problema é que sua voz não combina em nada com Nick, nos transmitindo uma sensação estranha e falsa. Talvez se ele tivesse dublado algum papel de um jogo de faroeste, um “Red Dead Redemption” por exemplo, ficasse melhor… talvez…

Mas uma coisa fica clara: dublagem profissional é o canal. Pessoal competente, que estudou e se empenhou para fazer essa função, é que não falta por aqui! #paremdechamarfamosinhos

Ação furtiva no melhor estilo MGS

Longe dos shooters militares e ação desenfreada que marcou a franquia nesses anos todos, a campanha de “Hardline” oferece duas opções para os jogadores em termo de jogabilidade: modo furtivo e ação. O primeiro pega emprestado muitos elementos do clássico “Metal Gear Solid”, como andar agachado para fazer menos barulho, jogar objetos para distrair os inimigos, um minimapa com cones de visão bem ao estilo de MGS, inimigos que tem um modo de percepção da sua presença, alarmes que precisam ser desligados, entre outras coisas. E o segundo que é o tradicional estilo Rambo: atire primeiro, pergunte depois.

Apesar de não ser inovador, o modo furtivo agrega uma nova experiência para os fãs de BF e não há como negar que é muito divertido se infiltrar nos buracos dos bandidos sem ser visto ou mostrar o distintivo e passar voz de prisão para algemar os meliantes – que na maioria das vezes, obedecem (alguns saem correndo, outros atiram). Claro que, se a bandidagem estiver em grande número, mostrar o distintivo não vai servir pra nada e o negócio é sair na bala mesmo.

Além de prender os caras, é possível tirá-los de ação de  maneira não letal, nocauteando-os de surpresa ou usando armas como cassetetes, bastões e tasers. Antes das missões é mostrado uma lista de criminosos procurados e se o jogador encontrá-los garante pontos de experiência extra para desbloquear novas armas e acessórios.

Mas para quem gosta de agitação, ela também marca grande presença no jogo, com controles e comandos precisos e ágeis. Muitos elementos dos cenários são destrutivos, o que deixa a ação mais interessante e nos obriga a tomar um cuidado maior. Apesar de termos uma parceira o tempo todo, sua cooperação nos tiroteios é uma vergonha. Também temos momentos de perseguição de carro, mas que não são espetaculares e deixa a desejar pela sua simplicidade. Mas, ainda assim, temos momentos de ação bombástica com tanques, explosões de fazer inveja a Michael Bay ou saltos do topo de um arranha-céu. Pura adrenalina.

Em termos gráficos e visuais, “Hardline” não decepciona e nos entrega cenários fantásticos. O design artístico urbano, ambientado na famosa cidade de Los Angeles, conta com um nível de detalhes realistas que impressiona, criando uma ambientação incrível para o jogador explorar. Efeitos de iluminação, luzes e sombras se destacam na tela, especialmente em cenários noturnos, proporcionando um deleite visual.

Multiplayer padrão

O modo multiplayer de “Hardline” oferece uma experiência bem diferente da campanha solo. Já de cara podemos destacar que as versões para PC, PS4 e Xbox One suportam até 64 jogadores, o que deixa as coisas bem caóticas.

No momento temos disponíveis nove mapas, quatro classes distintas e sete modos de jogo, incluindo as tradicionais Team Deathmatch (duas equipes se enfrentam) e Conquista (controle uma base). De longe o modo novo mais interessante é o “Ligação Direta“, que oferece uma lista de carros no mapa para os criminosos roubarem e que os policiais devem tentar reavê-los. Perseguições alucinantes, alta velocidade, muitos tiros e explosões se destacam nesse modo, que é extremamente divertido e viciante. É possível levar um parceiro dentro do veículo, enquanto um dirige, o outro mete bala nos adversários.

Os outros modos também são divertidos, porém não agregam nada de novo no universo multiplayer, apenas trazem uma roupagem diferente. Na verdade, se esquecermos a atmosfera policial, ele segue o padrão dos jogos de guerra militar, com jogadores divididos em duas equipes com variadas classes, mapas gigantescos e a necessidade do trabalho em equipe para sair vitorioso.

Temos o “Roubo“, com criminosos tentando roubar um banco enquanto os policiais tentam impedir; o “Dinheiro Sujo“, criminosos e policiais  lutam para resgatar o maior número de sacolas de dinheiro; “Resgate“, assuma o papel de um agente da SWAT com a missão de salvar vidas inocentes das mãos de criminosos e “Mira“, um ex-criminoso que virou testemunha de estado deve ser protegido pelos policiais enquanto seus antigos parceiros tentam eliminá-lo. Esses dois últimos são modo eliminatório, ou seja, se morrer fica fora da partida.

A grande diferença desse modo multiplayer para os outros jogos da série “Battlefield” é o dele ser o mais rápido e dinâmico, tanto na na jogabilidade como na progressão do personagem. Agora não é mais necessário ficar horas jogando para ganhar pontos de experiência para desbloquear novas armas e equipamentos. Em “Hardline” o jogador recebe dinheiro, que pode ser usado para comprar qualquer item, permitindo assim modelar o personagem ao gosto do jogador e com mais liberdade.

Márcio Pacheco

Márcio Alexsandro Pacheco - Jornalista de games, cultura pop e nerdices em geral. Me add nas redes sociais (links abaixo):

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