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Análise | MLB The Show 21 traz experiência com descobertas e tropeços para novatos no beisebol

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O beisebol definitivamente não é um esporte convencional no Brasil. Com o passar dos anos, o basquete, o vôlei, MMA e outros esportes que eram mais praticados em outros países ganharam força por aqui. Até mesmo o futebol americano ganhou destaque. Já o beisebol, não. É um esporte que não veremos crianças pedindo para jogar nas aulas de educação física por aqui, ao menos por enquanto. Se tem algo que pode mudar um cenário assim é um jogo de videogame. Disponível em várias plataformas, didático e sem a necessidade de vários amigos para uma partida real, MLB The Show 21 tem o potencial de angariar novos fãs para o esporte, que passam a entender e apreciar as suas regras.

Minha experiência com o MLB The Show 21, lançado recentemente para PS e Xbox, inclusive diretamente no Game Pass no caso dos consoles da Microsoft, foi exatamente essa. Meu conhecimento prévio em beisebol era zero. Para não dizer que eu não sabia absolutamente nada, conhecia apenas alguns poucos times por nome, como o “New York Yankees”, graças a filmes ou séries americanas. O resultado foi uma jornada -ainda em curso – de descoberta e tropeços, mas que rendeu uma admiração pelo esporte e alguns momentos memoráveis. Se você está no mesmo barco e querendo experimentar algo novo, essa análise é exatamente para você.

Começo confuso

MLB The Show 21

Entender as regras de qualquer esporte não é uma tarefa fácil. Não é à toa que tanta gente ainda tem dúvidas sobre a regra do impedimento no futebol, por exemplo, mesmo sendo um esporte tão popular por aqui.

No beisebol não é diferente. Os dois times se revezam entre ataque e defesa. Um time fará os arremessos enquanto o outro vai tentar rebater e avançar seus jogadores por quatro bases. Na teoria parece simples, mas na prática há uma porção de pequenas regrinhas para contabilizar a validade de cada ação e que deixam a tarefa mais confusa. Entender e tirar proveito de tudo isso é o que faz esse esporte interessante.

Um exemplo é como o juiz que fica atrás do rebatedor define se o arremesso do outro time foi válido ou não. Para isso, ele usa uma retângulo imaginário, a zona de strike. Se a bola passar por essa zona e o rebatedor não acertá-la, ficando com o receptor, então o arremessador se deu bem e a jogada conta como um strike. Se isso acontecer mais duas vezes, o rebatedor adversário está fora, sem chances de marcar pontos. Se a bola não passar por essa zona de strike, então quem se deu bem foi o rebatedor. Se isso rolar por quatro vezes, o rebatedor avança direto para a primeira base. Confuso? Isso é só a parte mais simples.

MLB The Show 21

O número de rebatedores por Inning (o turno aqui), como e quando jogadores podem avançar pelas quatro bases para marcar pontos, como funcionam as substituições, dentre outros pormenores são manhas que demandam tempo para o jogador se acostumar e ainda me confundem bastante. É aqui que acho que o MLB The Show 21 peca e acaba afastando novos fãs. O tutorial foca somente na parte mecânica de como executar as ações – fazendo isso de forma excelente – e não explica regras ou brinca com os fundamentos do esporte de forma mais didática. Mesmo jogos de esportes mais consagrados nos quatro cantos do mundo, como o FIFA, acabam fazendo melhor essa parte. The Show deveria se dedicar ainda mais na teoria, já que é bem restrito ao público americano e se tornou multiplataforma exatamente para se expandir.

Na parte de explicação das mecânicas, ele é bem didático. Você pode escolher dentre vários modos de arremesso diferentes, por exemplo. A execução funciona como um mini game, onde na opção que escolhi é preciso acertar um desenho com o analógico esquerdo no tempo certo enquanto com o direito você indica a direção da bola dentro da área de strike. Para treinar, há um modo só para testar esse mini game com o jogador que você quiser. Quanto melhores os atributos dele, mais fácil acertar o desenho e o tempo. Isso também vale para rebater, posicionar o time, pegar a bola e demais comandos do jogo. Além disso, há um modo de controle para novatos, que deixa a máquina cuidar de várias partes da ação para que você foque em aprender e se divertir.  Nesse aspecto, nota 10 para os desenvolvedores.

Partidas são maratonas

Outra particularidade do beisebol que pode afastar jogadores convencionais de outros jogos de esporte – e que me deixou entediado várias vezes – é a duração das partidas. No FIFA, os jogadores são acelerados, os minutos diminuídos, e as partidas são rápidas. No beisebol, assim como nos jogos de tênis, as partidas são demoradas e não há como fugir disso.

São 9 Innings para serem jogados, com turnos de ataque e defesa. Cada um deles metódico e tático, muitas vezes lentos. Isso significa que uma partida comum aqui, se jogada de forma rápida, pode demorar mais de meia hora.

Até você pegar a manha do jogo, esse tempo pode ser torturante, especialmente porque soa como um embate de mini games no controle e que cansam rápido. O de arremessar versus o de rebater. Depois que as regras vão ficando mais claras e as variações no jogo vão aparecendo, como controlar os jogadores que avançaram nas bases, se torna uma experiência muito mais agradável, mas com certeza é algo voltado para um nicho específico.

Em alguns momentos o jogo proporciona jogadas memoráveis, como um Home Run, quando a bola é rebatida para fora do campo, permitindo que todos os seus jogadores rodem as quatro bases tranquilamente, algo que dá vida nova à partida. Já em outros, a maioria deles, fica a repetição da tentativa de rebater ou arremessar usando o mini game como base, o que deixa tudo meio repetitivo.

Modos de jogo interessantes

Para manter os jogadores engajados durante toda a temporada, há uma diversidade bem legal de modos de jogo no MLB The Show 21. O mais famoso e tradicional é o Diamond Dynasty, que funciona como a Fantasy League aqui.

Colecionar cartinhas dos jogadores de beisebol é uma mania antiga nos EUA. Em MLB The Show 21, isso serve para criar o time dos sonhos. Pelo que percebi no pouco tempo jogando o modo e vendo em vários vídeos as explicações a respeito, uma das vantagens dele em relação aos modos parecidos de outros jogos de esporte é ser bem mais recompensador para quem joga sem colocar dinheiro real para abrir pacotes. Há uma espécie de passe de temporada gratuito que garante recompensas por experiência obtida jogando. Ao longo da temporada, as recompensas vão se tornando realmente valiosas e todos os jogadores que se dedicam semanalmente no game acabam com times poderosos. Além disso, jogar em outros modos garante recompensas para o Diamond Dynasty e você pode até inserir você mesmo no time, já que dá para colocar o personagem criado ao começar o jogo para brincar aqui.

No Diamond Dynasty você pode criar todo o uniforme do seu time também, o que é um pedido antigo das comunidades de jogos de esporte da EA. Um ponto bem legal e diferente.

Outro modo que achei interessantíssimo é o March to October. Aqui tudo rola em três meses. A produção das cutscenes para ambientar a jornada, os recortes de momentos importantes da temporada para jogar de forma rápida e toda a estrutura do modo impressionam, deixando tudo muito legal.

Para quem quer a carreira com o seu próprio jogador criado, há um modo específico também. Um detalhe que achei interessantíssimo é como eles utilizaram gravações dos comentaristas reais da MLB aqui. Como é ano de pandemia, todos eles estão comentando das suas casas, como está rolando na TV. Isso deu um ar de jogo de 2021 e um sentimento de imersão inesperado, mas muito bem-vindo.

MLB The Show 21

Há ainda os modos online, de prática, carreira completa com opção de se divertir por várias temporadas e até um construtor de estádio para criar a sua arena dos sonhos. Enfim, não falta conteúdo para quem gosta do esporte ou quiser se engajar nele para ver se cola.

Conclusão

MLB The Show 21

O beisebol, como todo esporte, é composto de diversas regras que demandam um bom tempo do jogador para dominá-las. O MLB The Show 21 falha em levar um aprendizado dessas regras para o novo público, que era um dos alvos desse lançamento multiplataforma.

Por outro lado, impressiona o polimento de cada um dos modos de jogo, a forma como ensinam os comandos e o vasto conteúdo para quem quiser experimentar.

Minha jornada ainda está começando no jogo e oscila entre o tédio e a descoberta. No entanto, só pela forma como tratam melhor o jogador no Diamond Dynasty do que fazem com outros jogos como os da EA, já dá uma vontade maior de prosseguir.

Prós

  • Quantidade de conteúdo é vasta e variada
  • Nível de produção é alto e alguns detalhes chamam muito a atenção
  • Como simulador parece extremamente detalhado
  • Diamond Dynasty é fantasy league que não força o jogador a gastar

Contras

  • Ausência de um modo tutorial com mais detalhes sobre as regras do jogo
  • Gráficos parecem datados e os jogadores tem animações pouco realistas

Nota: 8.0

Uma cópia do jogo foi fornecida pela Sony para PS5 para elaboração desta análise

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