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História| SEGA e Capcom foram pioneiras nos jogos de luta como conhecemos hoje

Vários games deram suas contribuições para criar o estilo que existe até hoje

O primeiro jogo de luta que se tem conhecimento é um arcade da SEGA chamado Heavyweight Champ, lançado em 1976 com dois lutadores em preto e branco se enfrentando como uma simulação de luta de boxe. Sendo o fliperama de grande sucesso no Japão, foi o terceiro jogo mais lucrativo daquele ano, atrás de outros títulos obscuros como “Ball Park” e “Speed Race DX”.  Hoje em dia é um game considerado perdido, e apenas o seu remake de 1987 está disponível.

História| SEGA e Capcom foram pioneiras nos jogos de luta como conhecemos hoje

Como é possível ver na imagem acima, o game já apresentava os primórdios do estilo que ficou característico dos jogos de luta, como dois personagens grandes e uma visão lateral. Em 1979, foi lançado um game chamado “Warrior“, que simulava com vetores dois guerreiros com espadas. Já em março de 1980, a SEGA lançou um game de ação chamado “Samurai”, que era do gênero de ação e considerado os primórdios do hack and slash, porém tinha uma batalha contra o chefe onde o jogador confrontava um samurai numa batalha um contra um de espadas.

Em julho daquele ano veio Boxing da Activision para o Atari 2600 e três anos mais tarde veio um jogo de boxe para o SG-1000 chamado “Champion Boxing“, também da SEGA. Curiosamente, este foi o primeiro game de Yu Suzuki, que ficaria conhecido anos mais tarde por idealizar clássicos como Shenmue e Outrun.

Em 1984 a Nintendo lança o Arcade de Punch-Out, que eventualmente se tornou um clássico do Nintendinho 8 bits. No mesmo ano veio também o Karate Champ, da extinta Data East, sendo o responsável por popularizar o estilo de luta um contra um e portanto, considerado um dos jogos mais influentes de todos os tempos, influenciando diversos posteriores, incluindo fases bonus de treinamento.

Outro game do mesmo ano foi Yie Ar Kung-Fu para Arcades, procurando sair um pouco do realismo do Karate Champ e dar um estilo de ação mais frenético, foi o primeiro a ter vários oponentes visivelmente distintos, o primeiro a ter um grande número de movimentos do personagem (cerca de 16), e também pioneiro em ter uma barra de energia para medir a quantidade de “vida” do personagem.

Já o primeiro game do gênero a incluir uma história foi o game de artes marciais Karateka, do final de 1984 e lançado para Apple II. Com o grande sucesso que o gênero estava alcançando, surgiram vários games apostando nos mais diferentes tipos de inovações. No entanto, no final da década de 1980, os desenvolvedores estavam achando que o gênero “beat´em up” seria a evolução natural dos jogos “um contra um”.

Nesse contexto, o desenvolvedor Takashi Nishiyama, da Capcom, usou como base um jogo de beat´em´up que ele tinha feito anos antes chamado Kung Fu Master para fazer o Street Fighter de 1987. No game anterior, as lutas contra os chefes eram no estilo que veio a ser o Street, e ele aproveitou e combinou com elementos de Karate Champ e Yie Ar Kung Fu, unindo o realismo do primeiro com quantidade de golpes do segundo.

Além disso, a ideia dele que os golpes especiais dos personagens fossem descobertos pelo jogador experimentado o controle, criando a sensação de que se os jogadores praticassem o game, eles iriam acabar descobrindo que “tal comando” fazia tal coisa (meia lua pra frente e soco dá um hadouken).

Outros pioneirismo do Street Fighter incluem um botão para bloquear os ataques, e a sensibilidade a pressão para determinar a força do ataque. No entanto, esse último estava causando muitos danos as máquinas de fliperama, então a Capcom rapidamente substituiu esse comando para um controle de seis botões, em que cada um deles representava uma coisa (soco médio ou soco forte, por exemplo), se tornando outro padrão para o gênero. Curiosamente, mesmo não alcançando grande popularidade, a ideia de ter uma cabine de seis botões gerou interesse em uma sequência.

As primeiras ideias para uma sequência iam mais na direção de um jogo beat´em´up e se chamaria Street Fighter 89. No entanto, como o game estava ficando muito distante do original, eles resolveram renomeá-lo para Final Fight, sendo outro grande sucesso da Capcom. Já o Street Fighter II veio com a ideia de “reviver a série” e aproveitar o bom conceito do game original para fazer o melhor jogo de luta para arcades lançado até então.

O já citado Nishiyama já não trabalhava mais na Capcom, então o desenvolvedor responsável ficou o Yoshiki Okamoto. Em 1991, SFII foi lançado, ditando os moldes de como os games de luta são até hoje, trinta anos depois, e se tornando um dos gêneros mais populares da década de 1990. Vários personagens, gráficos e personagens bem detalhados para a época, além de popularizar a mecânica de combos.

Curiosamente, o Takashi Nishiyama, responsável pelo primeiro Street Fighter, lançou alguns meses depois um game bastante conhecido pelos amantes dos jogos de luta: Fatal Fury, que ele tinha idealizado como um sucessor espiritual do primeiro Street Fighter. No entanto, este tinha mais ênfase em contar uma história e nos ataques especiais.

A partir daí veio vários outros games, como Mortal Kombat, que apostava no realismo gráfico com atores digitalizados e muita violência; Dark Edge, da SEGA, que foi a primeira tentativa de um jogo em 3D, mas acabou sendo o Virtua Fighter de 1993 em popularizar esse gênero e influenciar games como Tekken anos mais tarde; e o The King of Fighters, lançado em 1994, produzido pelo próprio Nishiyama, sendo uma das séries de luta mais populares até hoje.

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