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Análise | The Quarry oferece história envolvente e personagens bem construídos

Sete anos após o lançamento de Until Dawn, a Supermassive Games nos brinda com The Quarry, um jogo similar e que chega com a expectativa e a responsabilidade de bater seu irmão mais velho. Ele segue a mesma receita de seu predecessor, com uma história intrigante, cheia de suspense, tensão e descobertas ao longo de uma narrativa bem construída e envolvente que, vale ressaltar, é diferente para cada jogador.

Aqui, assim como nos títulos anteriores da Supermassive Games, cada escolha que fazemos pode mudar completamente o rumo da trama. Conforme dito pelo próprio diretor do game, Will Byles, The Quarry possui 186 finais diferentes.

Eu acho que já vi isso antes!

Não, eu não estou falando de Until Dawn, apesar da semelhança. Como grande apreciador dos filmes de terror, enquanto jogava The Quarry não pude deixar de perceber as referências a algumas obras como Sexta-Feira 13, Halloween e Pânico na Floresta.

Temos jovens inconsequentes tomando decisões irresponsáveis, perseguições implacáveis e uma turma bizarra cheia de segredos, além daquele personagem que não sabemos se está nos ajudando ou nos levando para mais uma armadilha. Todos esses elementos deixam o jogo ainda mais legal, sendo um prato cheio para os fãs do gênero.

Bem vindo a Hackett’s Quarry

O jogo começa com um jovem casal viajando à noite por uma estrada deserta e discutindo se estão ou não perdidos. Algo acontece e eles acabam fora da estrada, no meio da floresta. A sequência que ocorre a seguir é intrigante e perturbadora. Algum tempo se passa e somos apresentados a um grupo de monitores de um acampamento de verão (Hackett’s Quarry) em final de temporada e prontos para ir para casa. Mas, claro, como a aventura está só começando, as coisas não saem como planejado e eles são obrigados a passar mais uma noite por lá.

Os personagens são bem construídos e, apesar de ser um jogo curto (eu terminei em aproximadamente 9 horas e meia), temos tempo suficiente para conhecer um pouco o perfil de cada um, seus comportamentos, suas personalidades e, de quebra, a forma com que eles se relacionam, com direito a algumas paqueras entre um suspense e outro.

É nisso que vemos o charme dos jogos da Supermassive Games: mesmo que as decisões sejam do jogador, é difícil não se deixar influenciar pelas características dos personagens e esquecer o que cada decisão deixará como consequência. E acredite: tudo que você decidir leva a um final surpreendente!

Dentro da história

Muitos são os pontos fortes que nos fazem mergulhar junto com os adolescentes na noite de lua cheia no acampamento Hackett, a começar pelo realismo do jogo. Mesmo se tratando de um título cross-gen, The Quarry consegue entregar gráficos excelentes, uma ambientação incrível, juntamente com uma trilha e efeitos sonoros muito bem executados. Enquanto exploramos o acampamento, seus chalés e até mesmo alguns pontos da floresta, somos acompanhados por barulhos estranhos, madeira rangendo, sons da chuva e outros ruídos aleatórios.

Um outro elemento que favorece, e muito, a imersão do jogador, são os QTE’s (Quick Time Events), ou eventos de ação rápida, que são os comandos “surpresa” que precisamos executar enquanto assistimos determinadas ações dos personagens.

O conjunto de todos esses elementos ditos acima contribuem bastante para aumentar a imersão, fazendo com que eu me sentisse dentro do jogo a (quase) todo instante.

Nem tudo são flores (ou sustos)

The Quarry é um jogo de narrativa interativa onde o foco é uma experiência de jogabilidade mais cinematográfica, ou seja, não é pra todos os gostos. Aqueles jogadores que esperam apertos de botões frenéticos a todo instante, talvez, não terão aqui a experiência que gostariam. É o tipo de jogo que possui uma mecânica mais travada, comandos mais simples e limitados que, em alguns momentos, atrapalham a experiência do jogador. Sabe quando você quer descer (ou subir) uma escada mas o personagem teima em não seguir o comando? Isso está presente aqui.

Outro ponto que me chamou atenção foi o nível de escuridão do jogo. Eu sei que trata-se de uma experiência de suspense e terror, mas em alguns momentos tive que ajustar o brilho para visualizar melhor alguns cenários e isso me incomodou um pouco.

São detalhes que, no meu ponto de vista, atrapalham a imersão mas não prejudicaram a minha experiência final.

Conclusão

Depois de Until Dawn e os jogos da The Dark Pictures Anthology a Supermassive Games nos mostra, agora com The Quarry, que sabe fazer o que se propõe e nos entrega uma experiência envolvente e uma história cheia de mistérios, tudo dentro de um jogo que é, mesmo com uma proposta já conhecida, muito bom. Foi bem divertido entrar no acampamento de Hackett’s Quarry, tomar um banho no lago à noite, jogar verdade ou desafio em volta da fogueira e, depois de tantos sustos, sair de lá com vida!

Prós:

– Gráficos muito realistas
– História envolvente com possibilidade de inúmeros finais distintos
– Personagens bem construídos
– Dublagem e trilha sonora excelentes
– Efeitos sonoros que adicionam mais imersão à trama

Contras:

– Jogabilidade um pouco travada com uma mecânica bem limitada
– Imagem muito escura em alguns pontos dos cenários

Nota: 7,8/10,0

Uma cópia do jogo para PS5 foi fornecida pela 2K Games para elaboração desta análise.

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