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Opinião: Final Fantasy VIII é pesado demais para a Nintendo

Marcando as pazes da franquia Final Fantasy com a Nintendo, Final Fantasy VII, IX, X e XII estão chegando para o Switch. Porém, a falta de FFVIII nessa lista causou grande estranhamento nos fãs, principalmente considerando que o game faz parte do “trio de outro” da era PS1 (e que FFXI é um MMORPG já superado pelo XIV).

Algumas teorias já tentaram explicar o porquê disso. Falou-se na hipótese de um lançamento especial em 2019, uma vez que é o ano do aniversário de 20 anos do jogo protagonizado por Squall Leonhart. Mas o motivo pode ser bem mais simples: Final Fantasy VIII é pesado demais para o Switch.

Não estamos falando de especificações técnicas, mas sim do conteúdo do game. É importante lembrar do direcionamento que a Nintendo tem dado a seus últimos consoles, investindo em jogos mais leves, voltando às origens propostas principalmente pelo antigo nome “Famicom”: diversão para para toda a família. Enquanto as versões VII, IX, X e XII são mais amigáveis, FFVIII é um jogo super adulto, mostrando sangue e um clima obscuro já em sua sequência de abertura.

Além disso, no decorrer do jogo passamos por um ataque de mísseis, tramas psicológicas pesadíssimas como as que Squall enfrenta, uma sequência de guerra na qual estudantes de duas escolas diferentes se ferem e até se matam, armas de fogo, entre outras coisas. Tudo isso pode ter influenciado a Nintendo a dizer “não, obrigado”.

Mesmo que se argumente que os outros títulos têm sequências que também podem ser consideradas pesadas, como Sephiroth atravessando sua espada em Aeris ou outras cenas de destruição, a comparação deve ser feita em outro nível gráfico. Os outros games contam com desenhos, se não cartunescos como em VII e IX, pelo menos mais coloridos como em X e XII. Os traços humanizados e sombrios de FFVIII tornam o impacto muito maior mesmo quando não há morte, como por exemplo na já citada cena da abertura em que Seifer quase arranca o nariz de Squall. Mesmo as cenas de destruição de cidades, como Zanarkand em FFX ou Lindblum e Alexandria em IX, são causadas por summons e elementos mágicos, não por coisas literais como mísseis.

Foi considerando tudo isso, junto com o atual contexto das produções que saem para Switch, que Nintendo e Square-Enix parecem ter chegado a um acordo para não lançar Final Fantasy VIII no console. E olhando com cuidado, faz todo o sentido. O dia em que um console Nintendo receber FFVIII pode indicar que a empresa está disposta a mudar um pouco de identidade, e quem sabe até tornar-se mais democrática nesse sentido, como era no tempo do N64. Mas por enquanto, Squall, Rinoa, Zell e companhia seguem podendo ser encontrados apenas no Playstation e no PC.

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