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Nos anos 80 e 90, a rivalidade “Console VS PC” era completamente diferente de hoje! Os videogames eram focados no público infanto-juvenil, geralmente fáceis de entender,  e histórias que muitas vezes se resumia em derrotar o vilão para salvar alguém ou o mundo todo. Já os PCs ficavam com o público mais adulto, com jogos de simulação, estratégia, e RPGs completamente customizáveis. Evidente que havia exceção para ambas as partes.

Nesta época, um dos gêneros mais populares entre os gamers de PC era o Adventure, que também são conhecidos como “aponte e clique”. Basicamente os jogadores tinham que sair clicando pelo cenário para conversar com personagens, pegar objetos “aqui” para destravar coisas “acolá“, e explorar bastante a capacidade cerebral para prosseguir no jogo.

Nesta época “de ouro” do gênero, duas empresas guerreavam para conquistar o público: a Sierra, que em geral focava no enredo, e a LucasArts, com ênfase maior no gameplay.

É verdade que a interatividade do gênero é limitada, justificando o declínio no fim dos anos 90, mas geralmente isto era compensado com narrativas muito bem escritas e personagens memoráveis. Talvez por isso haja uma legião de fãs ardorosos que nunca deixam o gênero “morrer”,com lançamentos até hoje.

Portanto, para lembrar um pouco da época de ouro dos jogos “aponte e clique”, selecionamos 10 jogos de Adventure antigos que todo gamer deveria jogar! Lembrando sempre que é uma seleção, e caso um jogo que você curta ficou de fora, deixe nos comentários!

PHANTASMAGORIA
(SIERRA 1995)

Phantasmagoria

 

Lançado em 1995, a ideia de Phantasmagoria é ser um filme de terror interativo com atores reais em cenários digitais, não tendo nenhum “freio” nas cenas de violência gratuita e até mesmo com uma polêmica cena de estupro. A história do game é típica de um longa metragem do gênero: previsível, porém envolvente e com bom ritmo. Já no gameplay é o clássico “aponte e clique”, pecando pelo pouco desafio.

Foi desenvolvido pela Sierra sob a liderança da Roberta Williams, famosa entre os retrogamers pela série King Quest. Vale ressaltar que este foi um dos mais caros e desafiadores da desenvolvedora, sendo que o script ficou com 550 páginas (quatro vezes maior que a média dos filmes de Hollywood), as gravações duraram quatro meses com toda a equipe ficando no estúdio de dez a doze horas, seis vezes por semana. Por fim, o jogo foi distribuído em 7 CDs (um a mais na versão para Sega Saturn), e teve um bom desempenho comercial, faturando 12 milhões de dólares. E pensar que toda essa quantidade de dados caberia num único DVD hoje em dia…

 

QUEST FOR GLORY IV: SHADOWS OF DARKNESS
(SIERRA 1994)

QFGIV

 

Famoso por misturar RPG com aponte e clique, o quarto episódio da série foi um marco por trazer um clima mais “dark” e um sistema de batalha mais elaborado que os antecessores, mas sem deixar de manter o espírito cômico deles. Além disso, a versão de CD-ROM (na época era comum os jogos virem em disquetes, e ter uma versão “turbinada” em CD) inovou por ser o primeiro game da franquia a ser dublado e ter um narrador. Tendo personagens marcantes, uma história bacana, e um vilão ótimo, este game é obrigatório para os fãs de adventure.

SAM & MAX HIT THE ROAD
(LucasArts 1993)

 SM

Sucesso de público e crítica, Sam & Max Hit The Road é um clássico da LucasArts que até hoje é lembrado pelos amantes do gênero. O jogo é simplesmente bom em tudo que se propõe: ótimo em gráficos, bela trilha sonora, dublagem de primeira (algo raro para a época!), e dificuldade dos enigmas na medida certa.

É verdade que alguns puzzles são bem difíceis, deixando o jogador empacado, porém quando a solução é descoberta fica o sentimento de  “Como não pensei nisso antes?!”. A popularidade do game rendeu uma série, porém nenhuma de suas sequências rendeu o mesmo sucesso do primeiro jogo.

 

KING QUEST VI: HEIR TODAY, GONE TOMORROW
(Sierra 1993)

A série é dos primórdios dos jogos para PC, sendo que seu primeiro game foi lançado em 1983 (tempo passa rápido, não?) e hoje em dia é considerado um clássico cult dos games de computadores, levando a desenvolvedora Sierra e o nome da Roberta Williams ao “estrelato”. O primeiro King Quest foi revolucionário por contar com animações e mostrar o personagem em perspectiva dependendo da parte do cenário, sendo que anteriormente os jogos de Adventure eram textuais ou se limitando a mostrar imagens na tela para ilustrar o andamento da aventura.

O grande sucesso entre os gamers resultou numa série, sendo que o sexto episódio é considerado o ponto alto da franquia. Com bons gráficos (para a época), puzzles lógicos, uma ótima história, além do grande carisma do protagonista Alexander, este game deve ser jogado por todos aqueles que curtem jogos “old-school”. Um fato interessante é que a produção contou com a novata Jane Jensen, que anos mais tarde ficou tão famosa quanto a Roberta Williams pela produção do também clássico Gabriel Knight.

THE DIG
(LucasArts 1995)

Dig

 

Sabe aquela produção que nem é tão valorizada em sua época, mas a longo prazo acaba recebendo status de clássico? Pois foi o que aconteceu com o The Dig. Logo que o jogo foi lançado, a mídia deu notas mistas para o game, criticando alguns enigmas pela dificuldade (verdade seja dita: tem um em específico que é injustamente difícil), além de serem bem divergentes em opiniões quanto a produção do game em geral.

No entanto, o jogo rendeu sucesso comercial, sendo o game da LucasArts mais vendido em todos os tempos até então com 300 mil cópias, e atualmente é considerado um excelente jogo do gênero. A história é criativa, os personagens são carismáticos, e enigmas que no geral são lógicos e divertidos. Os fãs da desenvolvedora acreditam que o jogo foi alvo de preconceitos por ter um clima sério e dramático, diferindo da marca registrada da LucasArts que era fazer jogos com teor cômico e com história “leve”. O clássico foi relançado na Steam recentemente.

GRIM FANDANGO
(LucasArts 1998)

grim

 

Aclamado universalmente pelo público e pela crítica, ganhando diversos prêmios como o melhor jogo do gênero, e até hoje é considerado por boa parte dos retrogamers como o ápice dos “aponte e clique” da LucasArts. Todo esse sucesso se deve a excelência técnica em todos os pontos, e também por inovar ao trazer o humor negro para os jogos do gênero, contando com piadas politicamente incorretas, que conseguem arrancar gargalhadas até daqueles que não possuem tanto senso de humor.

No entanto, Grim Fandango não rendeu tanto sucesso comercial, vendendo o suficiente apenas para cobrir os gastos da produção, exercendo um papel inverso ao The Dig. Acredita-se que ele  foi lançado numa época em que o gênero entrava em decadência, levando a uma pesquisa interna da LucasArts que acabou cancelando o desenvolvimento das sequências de Full Throttle e Sam & Max, apesar de ter produzido o Escape From Monkey Island lançado em 2000. Recentemente o jogo foi remasterizado e lançado para o Playstation 4, PSVITA, Windows, Mac e Linux.

 

BROKEN SWORD: THE SHADOW OF THE TEMPLARS
(Revolution Software 1996)

brokensword

O único da lista que não é nem da Sierra, nem da LucasArts! Broken Sword The Shadow of The Templars foi sucesso de público e crítica, vendendo cerca de 1 milhão de cópias e alcançando status de clássico em pouco tempo. Destaque para os cenários desenhados a mão e coloridos digitalmente, que dão um efeito bonito mesmo com o passar do tempo, além da história criativa e envolvente que mistura ficção com realidade.

A jogabilidade é bem tradicional e com enigmas em dificuldade mediana, não comprometendo o ritmo da aventura, além de serem bem integradas a história. O sucesso do game rendeu uma série, além de um relançamento anos mais tarde pela Ubisoft batizada de “Director´s Cut” para diversos consoles, expandindo a história e remasterizando os gráficos.

THE SECRET OF MONKEY ISLAND
(LucasFilmGames, 1990)

monkey

 

Escolher um jogo da série Monkey Island para integrar esta lista é bem complicado! Todos são muito bons, cada um com suas particularidades, mas escolhemos o primeiro da série (numa época em que a LucasArts se chamava Lucasfilms Games!) por ter introduzido os personagens e servir de base para o humor e os enigmas dos jogos seguintes.

Seu grande trunfo é o humor com situações engraçadas, piadas inteligentes e outras bem manjadas, mas sempre divertidas e que arrancam pelo menos um sorriso do jogador. Talvez este tenha sido o primeiro game do gênero em que as pessoas se divertiam mais com as cenas do que com os enigmas em si, apesar destes também serem bacanas. Em 2009, a LucasArts lançou uma versão remasterizada “turbinando” os gráficos e a trilha sonora. Obrigatório para os amantes de aponte e clique!

FULL THROTTLE
(LucasArts 1995)

Atingindo status de clássico cult, Full Throttle é um dos games mais elogiados pelos jogadores antigos, sendo lembrado pela ambientação original, gráficos bacanas, excelente ritmo, além da jogabilidade bastante diversificada para o gênero, não se limitando a ser apenas um aponte e clique tradicional. A trama se passa em 2040, onde as motos possuem um sistema anti-gravitacional, e o protagonista Ben lidera uma gangue de motociclistas “barra pesada” chamada Polecats.

Você passará por cenários como bares, estradas, trailers, e vários outros que remetem a filmes que se passam no interior dos EUA. Também disputará contra uma outra gangue de motoqueiros, além de tratar de temas como corrupção e desvios de caráter dos “chefões” da empresa de motocicletas. O único problema de Full Throttle é que ele é tão divertido, que quando o finalizamos ficamos com desejo de “quero mais”.

GABRIEL KNIGHT: SINS OF FATHERS
(SIERRA 1993)

Nenhuma lista de aponte e clique pode ficar sem um jogo desta série, e ao mesmo tempo é muito difícil escolher um deles para estar aqui, visto que todos são excelentes. No entanto, optamos pelo primeiro título, Sins of Fathers, por ter apresentado as “estruturas” dos jogos seguintes, mostrando uma história criativa, personagens carismáticos, enigmas bacanas, e um desfecho ótimo.

Lançado em 1993, Gabriel Knight conta a história de Gabriel, um escritor de Nova Orleans que sonha em alcançar o estrelato e viver somente com a venda de seus livros. Buscando inspirações para uma nova história, ele começa a seguir as investigações da polícia local que está querendo desvendar uma sucessão de crimes conhecidos como “assassinatos do vodu”. Eventualmente ele descobre que o “destino” o colocou nestas circunstâncias, visto que ao longo de toda a sua vida ele tinha sucessivos pesadelos que de alguma maneira estão conectados com os acontecimentos do game. Acho melhor parar por aqui para não dar spoilers!

Além da excelência em todos os pontos, é notável o capricho da versão em CD-ROM, escolhendo atores famosos nos EUA para a dublagem, além da inclusão de cenas em vídeo que na versão para disquete eram só imagens estáticas. Recentemente foi lançado um remake comemorando os 20 anos do jogo, e foi desenvolvido pela própria autora Jane Jensen, desta vez com seu próprio estúdio.