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Opinião | Você não é mais viciado ou fã de um game só porque tem mais coisas que o colega

Nem porque você está na Terra desde a época dos dinossauros

É comum nesse mundo de haters e fanboys a velha argumentação de que a pessoa “mais fã” é aquela que conhece mais, ou a que está mais tempo dentro da fanbase, pegando as mais diferentes épocas referente aquele produto de adoração. Apesar de ser uma discussão que, a princípio, vemos no público infanto-juvenil, há alguns adultos que também usam essa retórica.

“Querido, quando você estava nascendo, eu já jogava Sonic há dez anos. Sou muito mais fã que você”

“Amigo, quando você aprendeu a falar, eu já era fã de Final Fantasy”

“Eu tenho ‘não sei quantos objetos’ de tal game”

Como explicamos no texto sobre toda ser fanbase ser tóxica, ao longo do tempo as séries vão passando por transformações e desse modo cria-se diversos subnichos dentro dos fãs, tendo aqueles que preferem os jogos mais antigos, os outros os mais modernos, e assim há discussões intermináveis onde todo mundo demonstra, com todos os argumentos “lógicos” e “racionais” do porquê seu ponto de vista é o certo.

No entanto, a palavra “fã” é um encurtamento de “fanático”, que vem do latim “fanaticus” que significa “louco, entusiasta, inspirado por um Deus”, geralmente com uma conotação positiva de ser aquela pessoa que se inspira e ama aquele segmento, gastando boa parte do seu tempo e energia admirando e consumindo coisas relacionadas a um artista famoso, time de um esporte ou, no nosso caso, os games.

Não adianta ter todo o conhecimento do mundo sobre determinado assunto, ou você ter “não sei quantos produtos” pra “provar que é fã”, pois não prova. Ser fã vem de dentro para fora, e é justamente pelo sentimento que ele acaba se materializando nos objetos e no conhecimento que adquirimos.

Me lembro de uma colega em um fórum da internet há alguns anos debatendo este assunto, e ela disse “Eu tenho todos os CDs das Spice Girls, várias revistas, pôsteres e ‘tudo que você pode imaginar’ sobre elas. Só que hoje em dia isso não tem nenhum significado para mim. Era legal quando eu era adolescente. As vezes me pergunto o que eu faço com tudo isso. Se vendo ou se dou pra alguém”. 

Então se um fã do Mario Bros com seus 12 anos estiver com “brilho nos olhos” dizendo que Super Mario Odyssey é o “melhor jogo de todos os tempos” sem nem ao menos ter jogados os outros e você, do alto dos seus 35 anos, achar um absurdo tal afirmação, já que pra você Mario “perdeu a graça” desde o Super Mario World do Super Nintendo, saiba que nenhum dos dois está errado. O errado é você achar que é “mais fã” do que um pequenino cheio de brilho nos olhos falando sobre o jogo que ele gosta, mesmo sem conhecer direito.

O que caracteriza um fã é o sentimento

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